O que os bispos esperam dos movimentos e novas comunidades?

Esperamos dos Movimentos e novas Comunidades:

A. "Evangelizar"!  O surgimento dos Movimentos e das Novas Comunidades na Igreja pede que todas acolham de novo o desafio da Evangelização. Saiam de si mesmas e olhem para o mundo. Digam com o apóstolo: "Anunciar o Evangelho não é glória para mim; é uma obrigação que se me impõe. Ai de mim, se eu não anunciar o Evangelho! (I Cor 9, 16)". Nenhuma realidade da Igreja foi suscitada para os cristãos se olharem no espelho, mas para participarem do zelo pelo Evangelho, olhando para frente e para o alto.

B. "Compromisso novo no seu entusiasmo, nos seus métodos, na sua expressão". Se os Movimentos e Comunidades são "novos", haverão se exercitar a criatividade, deixando-se conduzir em sua oração e discernimento, para colocar a disposição da Igreja o que entenderam do novo de Deus para o nosso tempo. Não esperamos de vocês apenas uma repetição do que outras formas de dedicação a Deus oferecem. Tenham a coragem de ousar!

C. "Os Movimentos eclesiais representam um dos frutos mais significativos daquela primavera da Igreja anunciada pelo Concílio Vaticano II". Se pelos frutos se conhece a árvore (Mt 7,20), já é possível verificar, pela história já significativa de muitas das novas realidades eclesiais, o que floresceu no campo da Igreja. Por outro lado, acrescento que um dos rebentos mais significativos (primavera!!!) é a alegria. Ouso dizer que os Movimentos e Novas Comunidades têm como tarefa a alegria que é um dos frutos da ação do Espírito. "O fruto do Espírito é caridade, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade, brandura, temperança. Contra estas coisas não há lei. Pois os que são de Jesus Cristo crucificaram a carne, com as paixões e concupiscências. Se vivemos pelo Espírito, andemos também de acordo com o Espírito" (Gl 5, 22-25). Comuniquem a todos a perene jovialidade da Igreja.

D. "A fé sem 'se' nem 'mas' ". Não é difícil percebeu que muitas das dificuldades encontradas pelos Movimentos e Novas Comunidades vêm da falta de testemunho de seus responsáveis e de seus membros. Isso conduz a uma perigosa generalização, na qual se julga o conjunto daquela realidade de Igreja. Esperamos de todos, como de resto esperamos de todos os segmentos de Igreja, um esforço imenso de superação das eventuais dificuldades. Cuidem de tornar prioritária a estrada mestra da santidade, segundo a recomendação do número 31 da Novo Millenio Ineunte: "É hora de propor de novo a todos, com convicção, esta medida alta da vida cristã ordinária: toda a vida da comunidade eclesial e das famílias cristãs deve apontar nesta direção. Mas é claro também que os percursos da santidade são pessoais e exigem uma verdadeira e própria pedagogia da santidade, capaz de se adaptar ao ritmo dos indivíduos; deverá integrar as riquezas da proposta lançada a todos com as formas tradicionais de ajuda pessoal e de grupo e as formas mais recentes oferecidas pelas associações e movimentos reconhecidos pela Igreja".

E. "O elemento carismático, que oferece novas iniciativas, novas inspirações, nova animação". O que vocês têm de melhor é o próprio carisma! E Carisma não é dado para a vaidade própria. Carisma é dom que está em nós para os outros!

F. "Conservar a comunhão com o Papa e os Bispos". Sejam fiéis a inspiração do Senhor, submetam-na ao Bispo, em sua Diocese de origem. Quando um Bispo acolhe uma realidade de Igreja, saibam que, malgrado nossos limites pessoais, ali está presente o exercício de um Carisma próprio do Episcopado, o discernimento.

G. Referindo-se ao relacionamento entre os Movimentos e as Igrejas locais, no citado Congresso, o então Cardeal Ratzinger observou que "existiram e existem também dificuldades sérias. Os Movimentos, de fato, mostravam sinais de uma condição ainda infantil. Colheram a força do Espírito, mas este Espírito age por meio dos homens e não os livra por encanto de suas fraquezas. Houve tendências ao exclusivismo, a acentuações unilaterais, com as conseqüentes dificuldades para a inserção nas Igrejas locais. De seu zelo juvenil, muitos tiravam conclusão de que a Igreja devesse elevar-se ao seu modelo e ao seu nível e não vice-versa... Aconteceram choques dos quais, de vários modos, foram responsáveis ambas as partes. Fez-se necessário refletir como as duas realidades...pudessem estabelecer um relacionamento justo". Os bispos esperam dos Movimentos e Novas Comunidades um caminho de amadurecimento, na superação de exclusivismos e no estabelecimento de um fecundo caminho de diálogo.

Dom Alberto Taveira, Arcebispo de Palmas - TO