As cinzas nos recordam a necessidade de penitência e conversão!
- Última atualização em 22 Fevereiro 2012
***Quarta-feira de cinzas, momento em que nós cristãos católicos pararmos para refletir sobre a nossa condição de pecador, dia de jejum por excelência... Assim, para nos motivar a uma sincera conversão alimentemo-nos das palavras de nosso Santo Padre, o Papa. Luiz Antônio***
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Hoje, Quarta-Feira de Cinzas, retomamos como todos os anos o caminho quaresmal animados por um espírito mais intenso de oração e de reflexão, de penitência e de jejum. Entramos num tempo litúrgico "forte" que, enquanto nos prepara para as celebrações da Páscoa coração e centro do ano litúrgico e de toda a nossa existência convida-nos, aliás poderíamos dizer, provoca-nos a imprimir um impulso mais decisivo à nossa existência cristã. Uma vez que os compromissos, as inquietações e as preocupações nos fazem voltar ao hábito, expondo-nos ao risco de esquecermos como é extraordinária a aventura para a qual Jesus nos interpelou, temos necessidade de começar todos os dias de novo o nosso exigente itinerário de vida evangélica, voltando a nós mesmos mediante pausas fortalecedoras do espírito. Com o antigo rito da imposição das cinzas, a Igreja introduz-nos na Quaresma como num grande retiro espiritual que dura quarenta dias.
Impondo as cinzas sobre a cabeça, o celebrante diz: "Recorda-te que és pó e ao pó voltarás" (cf. Gn 3, 19), ou então repete a exortação de Jesus: "Arrependei-vos e acreditai no Evangelho" (Mc 1, 15). Ambas as fórmulas constituem uma exortação à verdade da existência humana: somos criaturas limitadas, pecadores sempre necessitados de penitência e de conversão. Como é importante ouvir e aceitar esta exortação nesta nossa época! Quando proclama a sua autonomia total de Deus, o homem contemporâneo torna-se escravo de si mesmo e encontra-se muitas vezes numa solidão desconsolada. Então, o convite à conversão é um impulso a voltarmos aos braços de Deus, Pai terno e misericordioso, a termos confiança nele e a confiarmo-nos a Ele como filhos adotivos, regenerados pelo Seu amor. Com pedagogia sábia, a Igreja repete que a conversão é antes de tudo uma graça, uma dádiva que abre o coração à infinita bondade de Deus. É Ele mesmo quem antecipa, com a sua graça, o nosso desejo de conversão e acompanha os nossos esforços em vista da plena adesão à sua vontade salvífica. Então, converter-se significa deixar-se conquistar por Jesus (cf. Fl 3, 12) e, com Ele, "voltar" ao Pai.
Estimados irmãos e irmãs, peçamos à Nossa Senhora, Mãe de Deus e da Igreja, que nos acompanhe ao longo do caminho quaresmal, para que seja um caminho de verdadeira conversão. Deixemo-nos conduzir por Ela e assim havemos de chegar, interiormente renovados, à celebração do grande mistério da Páscoa de Cristo, revelação suprema do amor misericordioso de Deus.
Boa Quaresma para todos!
Bento XVI

