"Obediência a Cristo e ao Sucessor de Pedro", pede o Vaticano

286003

O Vaticano publicou nesta quinta-feira, 26, um comunicado com o resultado da reunião da Comissão para a Igreja na China, criada pelo Papa Bento XVI, em 2007.

De 23 a 25 de abril, os membros da comissão reuniram-se no Vaticano para traçarem uma série de diretrizes para a melhor vivência da fé no território chinês.

Durante o encontro, de acordo com o comunicado, os participantes aprofundaram o tema da formação dos fiéis leigos, tendo em vista o "Ano da Fé", proclamado por Bento XVI no ano passado, o qual iniciar-se-á em 11 de outubro de 2012 com as comemorações dos 50 anos do Concílio Vaticano II.

"As palavras do Evangelho: 'E Jesus crescia em sabedoria, idade e graça diante de Deus e dos homens' (Luc 2,52), ilustram a missão para a qual são chamados os fiéis leigos católicos na China. Em primeiro lugar, os mesmos devem entrar mais profundamente na vida da Igreja nutridos pela doutrina, conscientes da pertença eclesial e coerentes com as exigências da vida em Cristo", diz o Comunicado.

Add a comment

Leia mais...

Especial João Paulo II

especial joao paulo II

Moral Sexual

A família é o grande mistério de Deus

(…) A Igreja professa que o matrimônio, como sacramento da aliança dos esposos, é um “grande mistério”, porque nele se exprime o amor esponsal de Cristo pela sua Igreja.

Escreve São Paulo: “Maridos amai as vossas mulheres como também cristo amou a Igreja, e por ela Se entregou, para a santificar, purificando-a no batismo da água pela palavra da vida” (Ef 5,25-26). O apóstolo fala aqui do batismo, de que trata amplamente na Carta aos Romanos, apresentando-o como participação na morte de Cristo para partilhar da sua vida (cf. Rm6, 3,4). Neste sacramento, o fiel nasce como um homem novo, já que o batismo tem o poder de comunicar uma vida nova, a própria vida de Deus. O mistério do Deus-homem, está em certo sentido, resumido no evento batismal: “Jesus Cristo, Senhor Nosso, Filho de Deus- dirá mais tarde Santo Irineu e, com ele, muitos outros Padres da Igreja do Oriente e do Ocidente- tornou-se filho do homem, para que o homem possa tornar-se filho de Deus”.

Assim, o Esposo é o próprio Deus que se fez homem. Na antiga Aliança, Javé apresenta-se como Esposo de Israel, povo eleito: um Esposo terno e exigente, ciumento e fiel. Todas as traições, deserções e idolatrias de Israel, descritas dramática e sugestivamente pelos Profetas, não conseguem apagar o amor com que Deus-Esposo “ama até o fim” (cf. Jo 13,1).

A confirmação e o cumprimento da comunhão esponsal entre Deus e seu povo verificam-se em Cristo, na Nova Aliança. Jesus assegura-nos que o Esposo está conosco (cf. Mt 9,15). Está com todos nós, está com a Igreja. A Igreja torna-se esposa de Cristo. Esta esposa de que fala a Carta aos Efésios, faz-se presente em cada batizado e é como uma esposa em que o olhar do Esposo se compraz: “Amou a Igreja, e por ela Se entregou (…) para a apresentar a Si mesmo como Igreja gloriosa sem mancha  nem ruga , nem qualquer coisa semelhante, mas santa e imaculada” (Ef 5,25.27). O amor pelo qual amou o Esposo “amou até o fim” a Igreja, faz com que este seja sempre novamente santa nos seus santos, mesmo se não deixa de ser uma Igreja de pecadores. Também os pecadores, “os publicanos e as prostitutas”, são chamados à santidade, como o próprio Cristo certifica no Evangelho (cf. Mt 21,31). Todos são chamados a tornar-se Igreja gloriosa, santa e imaculada. “Sede santos- diz o Senhor- porque Eu sou santo” (Lv 11,44; cf. Pd 1,16).

Eis a dimensão mais sublime do “grande mistério”, o significado interior do dom sacramental na Igreja, o sentido mais profundo do Batismo e da Eucaristia. São frutos do amor, com que o Esposo amou até o fim; amor que se alastra constantemente, oferecendo aos homens uma participação cada vez maior na vida divina.

Depois de ter dito: “Maridos amai vossas mulheres” (Ef 5,25), São Paulo, numa expressão ainda mais vigorosa, acrescenta: “Assim, os maridos devem amar as suas mulheres, como aos seus próprios corpos. Aquele que ama a sua mulher, ama a si mesmo. Porque ninguém jamais aborreceu a sua própria carne; pelo contrário, nutre-a e cuida dela, como também Cristo faz à sua Igreja, pois todos somos membros do seu corpo”(Ef 5,28-30). E exorta os cônjuges com as seguintes palavras: “Sujeitai-vos uns aos outros no temor de Cristo” (Ef 5,21).

A própria família é o grande mistério de Deus. Como “igreja doméstica”, ela é esposa de Cristo. A Igreja Universal, e nela cada Igreja Particular, revela-se de maneira mais imediata e concreta co-esposa de Cristo na “igreja doméstica” e no amor aí vivido: amor conjugal, amor paterno, amor fraterno, amor de uma comunidade de pessoas e gerações. Porventura será possível imaginar o humano sem o Esposo e sem o amor com que Ele amou primeiro e até o fim? Somente se tornam parte em tal amor e nesse “grande mistério”, é que os esposos podem amar “até o fim”: ou se tornam participantes dele, ou então não conhecem plenamente o que seja o amor nem quanto sejam radicais as suas exigências. Sem dúvida isto constitui para eles um grave perigo.

A maravilhosa síntese paulina a propósito do “grande mistério” apresenta-se como compêndio, a suma, em determinado sentido, do ensinamento sobre Deus e o homem, que Cristo levou a perfeição. Infelizmente, com o desenvolvimento do racionalismo moderno, o pensamento ocidental foi-se afastando pouco a pouco de tal ensinamento. O filósofo que formulou o princípio “cogito, ergo, sum” (penso logo existo), acabou por imprimir à concepção do homem o caráter dualista que a caracteriza. É típico do racionalismo contrapor radicalmente, no homem, o espírito ao corpo e o corpo ao espírito. O corpo nunca pode ser reduzido a pura material: é um corpo “espiritualizado”, assim como o espírito está tão profundamente unido ao corpo que se pode qualificar como um espírito “corporizado”. A fonte mais importante para o conhecimento do corpo é o Verbo feito carne. Cristo revela o homem ao próprio homem. Esta afirmação do Concílio Vaticano II, de certo modo, é a resposta, longamente esperada, dada pela Igreja ao racionalismo moderna.

A separação entre espírito e corpo no homem teve como consequência a afirmação da tendência a tratar o corpo humano não segundo as categorias da sua específica semelhança com Deus, mas Segundo aquelas da sua semelhança com todos os outros corpos presentes na natureza, corpos que o homem utilize como material para a atividade destinada à bens de consume. Mas facilmente todos se podem dar conta de quanto a aplicação ao homem de tais critérios esconde realmente enormes perigos. Quando o corpo humano, considerado independemente do espírito e do pensamento, é utilizado como material ao mesmo nível do corpo dos animais, -como sucede, por exemplo, nas manipulações sobre os embriões e os fetos- inevitavelmente caminha-se para um terrível descalabro ético.

Numa tal perspectiva antropológica, a família humana está a viver a experiência de um novo maniqueísmo, no qual o corpo e o espírito são radicalmente contrapostos entre si: nem o corpo vive do espírito, nem o espírito vivifica o corpo. Assim o homem deixa de viver como pessoa e sujeito. Apesar das intenções e declarações em contrário, torna-se exclusivamente um objeto. Assim, por exemplo, esta civilização neo-maniqueísta leva a olhar a sexualidade humana mais como um campo de manipulação e desfrutamento, do que a olhá-la como a realidade geradora daquele assombro primordial que, na manhã da criação, impele Adão a exclamar à vista de Eva: «É carne da minha carne e osso dos meus ossos» (cf. Gn 2, 23). É o mesmo assombro que ecoa nas palavras do Cântico dos Cânticos: «Arrebataste o meu coração, minha irmã, minha esposa! “Arrebataste o meu coração com um só dos teus olhares» (Ct 4, 9). Como estão distantes certas concepções modernas da profunda compreensão da masculinidade e da feminilidade oferecida pela Revelação divina! Esta leva-nos a descobrir na sexualidade humana uma riqueza da pessoa, que encontra a sua verdadeira valorização na família e exprime a sua vocação profunda mesmo na virgindade e no celibato pelo Reino de Deus.

O racionalismo moderno não suporta o mistério. Não aceita o mistério do ser humano, homem e mulher, nem quer reconhecer que a plena verdade do homem foi revelada em Jesus Cristo. Não tolera, em particular, o «grande mistério» anunciado pela Carta aos Efésios, e combate-o radicalmente. Num contexto de vago deísmo, reconhece a possibilidade ou mesmo a necessidade de um Ser supremo divino, mas recusa decididamente a noção de um Deus que se faz homem para salvar o homem. Para o racionalismo, é impensável que Deus seja o Redentor, e menos ainda que seja «o Esposo», a fonte originária e única do amor esponsal humano. Aquele interpreta a criação e o sentido da existência humana de maneira radicalmente diversa. Mas, se faltar ao homem a perspectiva de um Deus que o ama e, por intermédio de Cristo, o chama a viver n'Ele e com Ele, se à família não for aberta a possibilidade de participar no «grande mistério», o que é que resta senão a mera dimensão temporal da vida? Resta apenas a vida temporal como campo de luta pela existência, de procura ansiosa do lucro, sobretudo do lucro econômico.

O «grande mistério», o sacramento do amor e da vida, que tem o seu início na criação e na redenção e cujo garante é Cristo-Esposo, perdeu na mentalidade moderna as suas raízes mais profundas. Está ameaçado em nós e à nossa volta.  (Trecho da Carta as Famílias de 1994)

João Paulo II

Add a comment